Esta poesia é de Ariate Libania da Silva. Esta postagem é uma homenagem a essa Poetisa por natureza que ama as Letras e que adora escrever seus Pensamentos com muita dedicação e carinho.
Jeca Tatu traduzia a percepção das elites sobre o povo brasileiro. Assim, criou-se a imagem do caboclo preguiçoso; nome: JECA TATU, símbolo do nosso caboclo, o pobre preguiçoso responsável por todos os males do país, articulando, assim, o retrato do fraco, ignorante e preguiçoso da sociedade, tornando-se ícone do atraso econômico e político.
Lobato reproduz o pensamento vigente da elite da época, considerando o caboclo o responsável pelo atraso econômico e técnico do país, que impedia o proprietário de seguir adiante, já que o caipira era molenga, fraco e ocioso, continuando inerte e de cócoras, impedindo o progresso.
O próprio nome do conto é metafórico, uma vez que URUPÊ é uma espécie de fungo, parasita, assim como o próprio caboclo, parasita da terra; parasitas que vegetam nos ocos das árvores e que acabam por matá-las; o nome “Jeca” virou sinônimo de bobo, ingênuo. Daí o termo metonímico “Piolho-de-Terra”.
Lobato, através desse ensaio descritivo, moldou a “consciência nacional”, referindo-se a identidade do povo de forma negativa, na qual o povo passa a se olhar e a reconhecer sua imagem. Portanto, havia a necessidade de superar a preguiça, a passividade e a submissão aos coronéis.
Mas se a modinha era em Policarpo Quaresma algo estritamente nacional, em Urupês, a modinha vem a ser outra imitação européia.
Em suma, o Brasil é mostrado decadente, representado pelo caboclo, um ícone da nação. A crítica não é somente ao Jeca Tatu, mas a todo o Brasil. O Jeca Tatu é uma caricatura do caboclo para representar todo o Brasil.
Édipo, ao nascer, seu pai Laio visitou um Oráculo que disse que a criança iria matar o próprio pai e casar com a mãe. Temendo isso, Laio abandona a criança nas montanhas com os pés amarrados para que morresse. No entanto, um pastor o encontra e o leva para seu rei, que o criou. Quando adulto, Édipo também visitou o Oráculo e ouviu a mesma coisa dita ao seu verdadeiro pai. Édipo, com medo que a profecia se realizasse, fugiu da casa de seus adoráveis pais, que por sinal, não sabia serem adotivos, e segue em frente, até que em uma encruzilhada se esbarra com uma comitiva e, após uma confusão, mata a todos, inclusive o Senhor que era “líder” dessa comitiva.
Algum tempo depois, Édipo chega à cidade de Tebas e encontra-a dominada pela Esfinge que assolava aquele lugar com inúmeras pragas. Após responder a “Charada da Esfinge”, Édipo é aclamado Rei de Tebas e ganha o direito de casar-se com a Rainha que estava sem um rei, pois o Rei Laio foi “assassinado”. Anos depois, outra praga assola a cidade, e um oráculo disse que só encontrando o assassino de Laio, tudo se resolveria. Depois de várias peripécias, Édipo descobre, de forma infeliz, que ele fora o assassino de Laio e que este era o seu pai verdadeiro, e Jocasta, a Rainha, com quem teve quatro filhos, era sua mãe. Esta, a descobrir tal fato, se suicida, e Édipo cega os próprios olhos. Em seguida, Édipo deixa a cidade de Tebas e sai vagando pelo mundo afora.
Considerando as partes da trama, que são elementos da tragédia como reconhecimento, peripécia, catástrofe e pathos, podemos perceber que esta tragédia possui todos os elementos que a torna uma obra perfeita. Na ação temos a “hamartia” ou erro involuntário de Édipo, que matou o pai e casou com a mãe sem saber; temos o “reconhecimento”, no qual Édipo reconhece a si mesmo, ao descobrir a origem das marcas em seus pés; a “peripécia”, no qual tudo parecia caminhar para um lado e ocorre tudo de uma maneira totalmente inesperada; a “catástrofe”, que é um acontecimento doloroso: a morte de Jocasta e a cegueira de Édipo; e o Pathos, que é a lamentação do herói perante o ocorrido; E a “catarse”, a purificação através da arte. Ao sofrer com o herói, aprendemos a não errar, além de sentirmos piedade por ele e terror por sua desgraça.
Comentário sobre o poema “I-Juca-Pirama”, de Gonçalves Dias, destacando, entre outras coisas, suas principais características românticas (temáticas e formais):
I-Juca-Pirama (1851) é um poema composto de 10 cantos e escrito em versos variados e o título quer dizer “digno de ser morto”, além de ser o nome do personagem central. É um poema indianista que focaliza a exaltação nacional, que era a ambientação cultural da época. A partir do Romantismo, os escritores brasileiros influenciados por alguns pensadores, entre eles, um francês chamado Ferdinand Denis, passaram a escrever sobre temas verdadeiramente nacionais e não simplesmente sobre temas que eram meras imitações européias. Se na Europa o cavaleiro medieval era a figura heróica principal, no Brasil existia um personagem que passou a ser a principal figura literária brasileira: o índio. Até então o índio era visto com maus olhos, uma espécie de vilão. Mas o poema I-Juca-Pirama mostra um índio herói, valente e honrado, capaz de morrer em nome de sua tribo.
A história é centrada em um ritual religioso que envolve antropofagia. Para os índios, ao comer a carne do índio mais poderoso da tribo inimiga, eles estariam assimilando a sua força. Em contrapartida, se eles comessem a carne de um índio fraco, conseqüentemente assimilariam a sua fraqueza. Durante o ritual, o prisioneiro era xingado, humilhado e provocado de todas as maneiras possíveis para que ele ficasse furioso e assim poder matá-lo no auge da sua fúria. Outrora, este ritual era visto pelos europeus – que eram católicos – como uma prática demoníaca e por isso resolveram que, ou os índios deveriam ser “salvos” pela cristianização, ou eles deveriam ser punidos por não serem considerados “gente”. Rousseau questionava esse modo de pensar dizendo o seguinte: Quem seria realmente demoníaco? O índio ingênuo que realizava um ritual religioso envolvendo antropofagia, ou o branco europeu que matava em nome de Cristo usando-se de todos as artimanhas para manter o poder do Estado e da Igreja Católica enquanto instituição?
O herói do poema I-Juca-Pirama é aprisionado, depois lhe curam as feridas, dão-lhe uma bela virgem de presente, come a melhor comida, etc. até chegar o grande dia do ritual. Lembrando que enquanto não chegasse esse grande dia, o prisioneiro podia andar livremente na tribo inimiga, pois ele sabia que fora capturado por ser o mais forte de sua tribo e não fugia, caso contrário, seria tratado como covarde e fraco. Conseqüentemente, sua família e sua tribo também seriam consideradas fracas e a desonra seria um fardo para o resto da vida. Naquela época, tradicionalmente, existia uma forte coletividade na maneira de interpretar as coisas da vida, diferente de hoje, que depois do cristianismo, mudou a maneira de pensar das pessoas e cada um paga por seus próprios pecados.
No entanto, I-Juca-Pirama pede que o deixe voltar para cuidar de seu velho pai que estava cego e depois que ele morresse, voltaria para concluir o ritual. O problema é que não acreditaram nele e foi “libertado” por considerá-lo “fraco”. Este, mesmo “desonrando” sua tribo, vai a auxílio do pai, que por sua vez, ao descobrir a ação do filho, não aceita sua atitude e decide acompanhá-lo para que se cumpra o ritual. Basicamente, é isso que acontece no poema, onde o objetivo é enaltecer os costumes dos índios que outrora eram vistos como inimigos dos colonizadores.
SOARES, Magda Becker. Linguagem e escola: uma perspectiva social. 2ªed. São Paulo: Ática, 1986. p. 8 -17.
A escola pública é, na verdade, uma conquista das camadas populares em sua luta pela democratização do conhecimento. No entanto, a repetência (não- aprendizagem) e a evasão (abandono da escola), são fatores que provam que a escola é antes contra o povo que para o povo. Esse absurdo tem sido explicado através de três ideologias distintas: A ideologia do dom, a ideologia da deficiência cultural e a ideologia das diferenças culturais.
A ideologia do dom afirma que o sucesso ou o fracasso do aluno depende exclusivamente dele e a escola não seria a responsável pelo seu fracasso, pois ela oferece igualdade de oportunidades e o bom aproveitamento dessas oportunidades dependerá do dom de cada um. Não é, portanto, a escola que se volta contra o povo, e sim, é este que se volta contra a escola, por incapacidade de responder de forma adequada às oportunidades oferecidas que lhe são oferecidas. A escola seria, sim, responsável pelo tratamento desigual às camadas populares.
A ideologia da deficiência cultural afirma então que, o fracasso do aluno é conseqüência das desigualdades sociais, responsáveis pelas diferenças de rendimento dos alunos na escola, ou seja, pelas dificuldades de aprendizagem. Deste modo, as formas de socialização no contexto social não permitem o desenvolvimento das crianças das camadas populares. Como conseqüência dessas desvantagens, a criança apresentaria deficiências afetivas, cognitivas e lingüísticas, responsáveis por sua incapacidade de aprender e por seu fracasso escolar.
A ideologia das diferenças culturais defende que o aluno sofre um processo de marginalização cultural e fracassa, não por deficiências intelectuais ou culturais, mas porque é diferente. Nesse caso, a responsabilidade pelo fracasso escolar dos alunos provenientes das camadas populares cabe à escola, que trata de forma discriminativa a diversidade cultural transformando diferença em deficiência.
Nesse quadro de confrontos culturais, a linguagem é um fator relevante nas explicações do fracasso escolar das camadas populares, pois o uso da língua na escola evidencia as diferenças entre grupos sociais, o que acaba gerando discriminações e fracasso. O uso de variantes lingüísticos ditos “errados” provoca preconceitos lingüísticos, levando a dificuldades de aprendizagem. Infelizmente, a escola usa e quer ver usada unicamente a variante-padrão socialmente prestigiada.
O livro “Pesquisa na Escola: o que é, como se faz”, de Marcos Bagno, publicado pela “Edições Loyola”, lançado pela primeira vez em 1998, expõe idéias bastante diferentes do que tradicionalmente se lê e se ouve a respeito das questões gramaticais.
A grande maioria dos professores, enquanto “orientadores”, não conseguem desempenhar esse papel de forma adequada. Tais professores deveriam “ensinar a aprender”, no entanto, não atendem as necessidades dos alunos durante a aprendizagem. Esse é o tema principal abordado neste livro, que apresenta uma linguagem extremamente simples e fácil de entender.
O livro está dividido em duas partes, assim designado: (1) O Fio de Ariadne; (2) O Fantasma de Procusto. Ambos apresentam os principais desafios enfrentados pelos alunos, devido aos métodos usados de forma irresponsável por alguns professores, no que diz respeito à aprendizagem, além de proporcionar uma discussão a respeito da importância da pesquisa na escola em geral.
A Primeira Parte – “O Fio de Ariadne” – mostra como é fácil um aluno se “perder” diante de uma aprendizagem mal-orientada. Este é um dilema antigo ainda enfrentado pela maioria dos alunos. Bagno menciona a necessidade de se fazer uma “pesquisa científica”, afim de “guiar” o aluno pelo caminho certo. “Ensinar a pesquisar” é o principal objetivo desta primeira parte do livro, além de instruir o aluno a fazer um “projeto” passo a passo, com o intuito de tornar os aprendizados mais práticos, organizados e atualizados. O projeto é, pois, necessário para tornar o ensino mais atraente.
A Segunda Parte – “O Fantasma de Procusto” – mostra o dogmatismo que reina no ensino da língua portuguesa, e, conseqüentemente, a instalação de um “preconceito lingüístico” na maneira de ensinar português. O ensino da gramática tornou-se assustador, pois não atende a realidade dos alunos. Bagno fala que a gramática ignora qualquer possibilidade de mudança no ensino da língua, e propõe algumas idéias para tentar tornar o ensino de português mais conveniente. Basicamente, o ensino de português, em vez de se preocupar com regras, deveria se preocupar com as potencialidades da língua, o que resultaria no crescimento da linguagem.
Bagno também faz inúmeras críticas ao método de ensino utilizado pela maioria dos professores, mas apesar de existir esses problemas envolvendo a aprendizagem, ele mostra que é possível mudar a “maneira de ensinar” desses professores, a fim de tornar a Língua Portuguesa uma disciplina prazerosa e objeto de pesquisa na escola de uma forma nunca vista antes.
Por Max Moreira
BIBLIOGRAFIA
BAGNO, Marcos. Pesquisa na escola: o que é, como se faz. Edições Loyola. São Paulo, 7ª edição: agosto de 2001.
Lembro-me que eu estava assistindo televisão durante a noite. Em dado momento, senti sede e fui beber água. Quando voltei, deparei-me com a porta da frente da casa aberta. Fiquei muito assustado e logo imaginei se havia entrado um ladrão na casa ou se eu tinha deixado a porta aberta. Ao refletir, tive certeza que tinha fechado a mesma, portanto, só podia ser obra de um ladrão. Mas onde estaria o suposto ladrão, tendo em vista que não vi ninguém e nem ouvi ruído algum? Pensei em chamar minha avó que estava dormindo. Foi o que fiz, mas ela não acordou de jeito nenhum. De repente, comecei a sentir calafrios e a ouvir barulhos estranhos, como o som confuso de muitas vozes humanas. Logo pensei que seriam vozes daquelas pessoas que costumam ficar até tarde conversando nas calçadas. A esta altura, minha mente tentava encontrar uma explicação para aquele acontecimento. Mas percebi que as vozes vinham da cozinha. Com uma coragem de leão fui verificar o que estava ocorrendo e deparei-me com todas as portas da casa abertas. Fiquei apreensivo imediatamente e diante daquela cena no mínimo estranha, tentei acordar minha avó novamente, mas foi inútil, pois ela não acordava, o que me deixou preocupado. Na cozinha, fui surpreendido por uma luz que vinha da porta dos fundos da mesma. O que seria aquela luz? Decidi me aproximar para tentar descobrir o que seria aquela visão bizarra. Foi quando surgiram dois olhos incrivelmente assustadores fixados diretamente em mim. Pareciam que estavam olhando dentro da minha alma. Eu fiquei completamente paralisado de medo, a ponto de não conseguir me mexer. Comecei a suar, mas era um suor terrivelmente frio. Nesse momento, comecei a ouvir vozes roucas, difíceis de entender. Aos poucos, essas vozes foram ficando audíveis e pareciam que estavam falando comigo. As vozes diziam: – Por favor, ajude-me! – Por Deus, salve-me! – Socorro! Acompanhado das vozes, pude ouvir o som de pessoas chorando. Eu conseguia sentir toda a carga de dores que era transmitida diretamente para a minha alma. Angústia, agonia, desespero, aflição, tristeza. Eu comecei a chorar de tanta dor que pesava sobre mim. Foi quando o inimaginável aconteceu. Vi-me dentro daquela luz misteriosa e tive a visão mais funesta do que minha mente poderia suportar. Dezenas, centenas, milhares de espíritos estavam ali dentro. Todos eles imploravam por socorro e eu nada podia fazer. Mais uma vez, aqueles olhos ficaram fixados em mim e uma voz forte e apavorante falou comigo. Aquela voz enfraquecia a minha alma, só de ouvi-la. – Sou uma Entidade Fantasma. Vou roubar o seu Espírito. De repente, vi-me fora daquela luz fantasmagórica. Em seguida, a Entidade Fantasma avançou em minha direção e atravessou o meu corpo como um raio, literalmente. Senti meu espírito sendo arrancado, enquanto ouvia indistintamente as lamentações de todos aqueles espíritos presos na Entidade Fantasma. Surpreendentemente, meu espírito não foi arrancado, no entanto, meu corpo sofreu as conseqüências. Durante a tentativa Dela de arrancar meu espírito, uma dor dilacerante tomou conta de mim. Gritei tão alto, que foi o suficiente para fazer minha avó acordar de seu sono profundo. Ela saiu do quarto alarmada e me encontrou na sala vomitando e chorando. A Entidade Fantasma parecia ter destruído minha mente, pois eu estava praticamente à beira da loucura. Parece que minha avó não conseguia ver a Entidade Fantasma, pois ela não demonstrou nenhuma reação diante daquela visão fantasmagórica. Quando olhei para trás, a Entidade Fantasma ainda estava lá e avançou de novo na minha direção. Saí correndo para o lado de fora da casa como um louco e aquela entidade fantasmagórica estava em meu encalço. No momento em que Ela tentou atravessar o meu corpo novamente, vi-me deitado em minha rede, completamente suado e confuso. Acordei. Percebi que acabara de ter um Pesadelo. Só dormi novamente, minutos depois, ouvindo o som da respiração da minha avó que dormia no quarto ao lado.