sexta-feira, 2 de abril de 2010

Pequena Análise de Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)



Dissertação sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas, refletindo sobre o “Realismo da obra”.

Apesar de conter elementos fantasiosos em Memórias Póstumas de Brás Cubas, não tira dele seu caráter “Realista”. Por quê? Primeiro, porque Brás Cubas decide escrever suas memórias após a sua morte, sendo, portanto um defunto autor, porém, como ele está morto, conseqüentemente, ele está livre das amarras sociais e pode falar de forma franca, ou seja, a verdade. E a verdade, como sabemos, é uma das principais características do Realismo. Em outras palavras, compromisso com a verdade. Perceba que o elemento fantasioso, que é um defunto autor escrevendo suas memórias, não destrói o caráter realista da obra, que é a objetividade. No capítulo XXIV (Curto, mas alegre), Brás Cubas deixa claro no 3º parágrafo: “... a franqueza é a primeira virtude de um defunto”. Se em vida somos prisioneiros do “... olhar da opinião, o contraste dos interesses, a luta das cobiças...” na morte, Brás Cubas ganha a liberdade. Segundo: Brás Cubas é um burguês e eis aqui o principal alvo da crítica: a burguesia. A hipocrisia também é alvo da crítica machadiana.

No capítulo CLX (Das negativas), Brás Cubas deixa claro sua consciência aristocrática quando declara que nunca precisou trabalhar para viver: “Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna, de não comprar o pão com o suor do meu rosto”. 

Na obra, os elementos fantasiosos servem como instrumento para descrever a realidade e o psicológico do defunto autor. Perceba no capítulo VII, que seu delírio parte da presença de Virgília no capítulo anterior. O delírio de Brás Cubas anunciava que seu organismo se preparava para a morte e Virgília simbolizava os seus pecados. 

Brás Cubas justificava seus atos constantemente, como no capitulo CV (Equivalência das janelas) em que um ato ruim é compensado por uma boa ação. O preconceito também é abordado, como no capítulo XXXI e no capítulo XXXII, nos quais a borboleta preta é comparada com a perna coxa de Eugênia, cujo nome ironicamente quer dizer “bem nascida”.

No geral, a obra critica uma sociedade hipócrita, vil e mesquinha, indigna até mesmo da dedicatória de Brás Cubas, que preferiu dedicar suas memórias aos vermes do que a alguém.

Por Max Moreira

sexta-feira, 26 de março de 2010

Pequena Análise de O Alienista de Machado de Assis

Comentário acerca da crítica tecida por Machado de Assis ao cientificismo/positivismo em O Alienista:

O Alienista trata do tema da loucura, abordada ironicamente. A crítica machadiana é voltada para o misticismo, o Romantismo, a sociedade, entre outros. De certa forma, temos também uma crítica ao próprio Positivismo. Vejamos: Simão Bacamarte almeja descobrir a fronteira entre a razão e a loucura, e com isso deseja ser o homem mais importante de Itaguaí, alcançando a glória. No entanto, suas ações acabam provocando o terror na referida cidade. Como sabemos, Simão era o “dono da razão”, por ser um médico cientista e ninguém ousava desafiar o poder do conhecimento. Eis a influência do cientificismo na obra. Itaguaí é uma cidade interiorana, dominada pelo misticismo, onde Simão tenta impor sua ciência, alegando querer curar as patologias cerebrais das pessoas. Suas experiências inicialmente fogem do controle, mas isso não o impede de se reerguer, desenvolvendo novas teorias. Aqui, temos uma crítica ao próprio cientificismo, porque o conhecimento científico de Simão é limitado e acaba gerando uma série de conflitos.

Simão alegava que a razão é o estado de equilíbrio perfeito da consciência e o resto é insânia. Depois argumenta que o desequilíbrio mental está presente em todas as pessoas, sendo que está latente em algumas. A partir daqui, o equilíbrio é considerado anormal e o oposto é considerado por ele normal. Por último, Simão descobre ser o único com estado consciente racional e perfeito e se declara “doido”. Para Simão, portanto, as pessoas eram apenas objeto de estudo da ciência, nada mais. Isso o levou a um conflito entre a razão e a loucura. No capítulo V, temos este fragmento: “Positivamente o terror”. Esse fragmento deixa implícito que o cientificismo/positivismo causava terror às pessoas por se tratar de algo que batia de frente com as ideologias religiosas principalmente.

Simão cria o “reinado da razão” e foi vítima do próprio conhecimento (cap. XIII). Ironicamente, Machado de Assis cria um contexto que chega a ser sarcástico. No capítulo X, Simão fala: “O terror também é pai da loucura”. Se a ciência também causava o terror, então Simão era culpado pelos supostos alienados.
Por Max Moreira

POSTAGEM HEROICA-MEU HERÓI NA ALFA PRIME-FICHA TÉCNICA

  HANNA FICHA TÉCNICA COMPLETA  AUTOR - MAX MOREIRA Ficha Técnica da personagem HANNA desenhada de frente - ALFA PRIME - Edição Especial - J...